Os Gêmeos, são uma
dupla de irmãos gêmeos grafiteiros de São Paulo, nascidos em 1974, cujos nomes
reais são Otávio e Gustavo Pandolfo. Formados em desenho de comunicação pela Escola Técnica
Estadual Carlos da Campos, começaram a pintar grafites em 1987 no bairro em que
cresceram, o Cambuci, e gradualmente tornaram-se uma das influências mais
importantes na cena paulistana, ajudando a definir um estilo brasileiro de
grafite
Os trabalhos da
dupla estão presentes em diferentes cidades, nos quatro cantos do planeta: EUA
(Nova York, Los Angeles, São Francisco), Austrália, Alemanha, Portugal ,
Itália, Grécia, Espanha, China, Japão, Cuba, Chile e Argentina.
Os temas vão de retratos de família à crítica social e política; o estilo formou-se tanto pelo hip hop tradicional como pela pichação
Os temas vão de retratos de família à crítica social e política; o estilo formou-se tanto pelo hip hop tradicional como pela pichação
Gêmeos

Otávio e Gustavo começaram a grafitar no final dos anos 80 , no bairro do Cambuci (zona sul de São Paulo), onde nasceram. Eles militavam no movimento hip hop, quando este alcançava o auge no Brasil. Além de grafitar, a dupla percorria a cidade fazendo apresentações de break (modalidade de dança de rua que, juntamente com o rap e o próprio grafite, são marcas do movimento nascido nos EUA, na década de 70). "A gente frequentava a Estação São Bento (do Metrô), que na época era o ´point´ dos caras que curtiam hip hop", conta Gustavo.
Os irmãos fazem questão de deixar claro, contudo, que, do final dos anos 80 para cá, apesar de continuarem a participar de eventos ligados ao hip hop, seu vínculo com o movimento mudou radicalmente. "A gente conhece bastante a cultura, teve uma ligação forte. Então, de vez em quando, acontece um convite assim. Mas, hoje em dia, nosso trabalho não tem nada a ver mais com o hip hop".
Um olhar um pouco
mais atento permite concluir que o grafite feito hoje por Otávio e Gustavo
mantém poucas semelhanças com aquele que ainda dá sinais de beber da fonte dos
precursores : os "manos" afro-americanos que se criaram no Bronx.
Essas diferenças entre estilos costumam vir à baila na sempre revigorada
polêmica "grafite x pichação". Controvérsia na qual Os Gêmeos
preferem não jogar lenha. "A gente já não aguenta mais responder perguntas
do tipo ´qual a diferença entre grafite e pichação?´ Isso não importa",
dispara Gustavo.
O nível de elaboração e a riqueza de detalhes dos murais grafitados pelos gêmeos vêm, segundo eles, de uma obsessão pela prática do desenho. Eles contam que nunca fizeram um curso. O estudo, ainda hoje, acontece em casa. "A gente sempre estudou, desde pequeno: desenho, desenho, desenho".
Foi justamente essa aplicação que ajudou a forjar o estilo de Os Gêmeos. Para eles, as principais características de seu trabalho vêm da maneira como o desenho é feito: "O jeito de a gente usar o spray, a linha, o contorno...", explica Gustavo. "A gente faz fininho -- isso também é estilo nosso".
O nível de elaboração e a riqueza de detalhes dos murais grafitados pelos gêmeos vêm, segundo eles, de uma obsessão pela prática do desenho. Eles contam que nunca fizeram um curso. O estudo, ainda hoje, acontece em casa. "A gente sempre estudou, desde pequeno: desenho, desenho, desenho".
Foi justamente essa aplicação que ajudou a forjar o estilo de Os Gêmeos. Para eles, as principais características de seu trabalho vêm da maneira como o desenho é feito: "O jeito de a gente usar o spray, a linha, o contorno...", explica Gustavo. "A gente faz fininho -- isso também é estilo nosso".
Quem não tiver a
oportunidade de estar em São Paulo para ver a exposição d´Os Gêmeos, nem puder
explorar a cidade para descobrir a marca deles impressa nos muros, há outras
alternativas para conhecer um pouco mais da arte desses paulistanos. Uma delas
é folhear o livro inglês Graffiti Brasil (Org.: Tristan Manco, Caleb Neelon,
Ignácio Aronovich e Louise Chin - Ed. Thames & Hudson).


